O fim de mais um Satélite de Observação Terrestre: ALOS

Depois do fim inesperado do satélite Sino-Brasileiro CBERS-2B em maio do ano passado (Comitê sino-brasileiro anuncia o fim das operações do satélite CBERS-2B) que distribuiu milhares de imagens gratuitamente, agora chegou a vez do satélite japonês ALOS (Daichi)conforme a carta publicada pela Agência Espacial do Japão (JAXA):
27 de abril de 2011
Caros pesquisadores ALOS,
É lamentável para nós, informá-los que o Advanced Land Observing Satellite (ALOS) foi encerrado em 23 de abril devido à avaria de geração de energia solar.
Por volta das 7h30 do dia 22 de abril (JST, na manhã da última sexta-feira), descobrimos que ALOS foi movido para o modo de baixo consumo de energia, que é o modo seguro do satélite para minimizar o consumo de energia para que ele possa sobreviver. Este modo não permiti que o ALOS faça a observação da Terra. Apesar da tentativa de recuperar o satélite a partir deste modo, no momento não podemos atestar o bom sinal do satélite (baixa geração de energia e nenhum sinal do ALOS). Continuaremos a enviar comandos para ativar o ALOS e monitorar se ocorre alguma reação do satélite para mais dias. No entanto, haveria pouca possibilidade de recuperação.
Depois que o  ALOS foi lançado, no dia 24 de janeiro de 2006, foi operada há 5 anos e 3 meses, o que ultrapassa a vida útil de três anos. Acreditamos que o ALOS tem vindo a desempenhar um papel importante na comunidade internacional, em muitos campos de aplicação. Apesar de que novos dados não estar]ao disponíveis, esperamos que os dados já adquiridos, possam contribuir para a pesquisa da ciência da terra e promover a observação da Terra de forma prática e internacionalmente. Neste momento, gostaríamos de expressar nossos sinceros agradecimentos a suas colaborações.
Continuaremos a investigar a causa deste desastre e tomar as medidas necessárias para os satélites futuros, bem como realizar os melhores esforços para a aceleração do lançamento do ALOS-2. Nós gostaríamos de manter nossa boa parceria  com você nos campos de observação da Terra.
Voltaremos brevemente com o ALOS-2/PALSAR-2 em 2013.”

E como desgraça pouca é bobagem, outra notícia problemática, já que o IBGE fornecia imagens do ALOS a baixo custo para pesquisas:
Término do Acordo de Cooperação
Prezados Clientes, informamos o término do acordo de cooperação científica entre o IBGE e a Alaska Satellite Facility ASF, que estabelecia o IBGE como responsável pela distribuição das imagens ALOS (Advanced Land Observing Satellite) para órgãos dos governos federal, estadual e municipal, instituições de pesquisa e demais usuários não comerciais do Brasil.

Comentários

  1. É uma ótima oportunidade de refletimros acerca da nossa dependência de recursos e meios externos relacionados a tais sistemas de observação.

    Questões governamentais fundamentais, e que vão além da política interna, passam pela disponibilização e controle brasileiro desses sistemas, como a gestão de terras, meio ambiente, fronteiras, recursos naturais, agropecuária, etc.

    Já é hora de produzirmos, lançarmos e mantermos nossos próprios sistemas de observação.

    É como diz o ditado: "Informação é Poder!"

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  2. Eu acredito mais em cooperação internacional, isso de centralizar nacionalmente uma tecnologia é um problema, quando aparece um ditadorzinho logo começa a sucatear tudo, como nos EUA-N onde o Bush Filho cortou a verba do programa Landsat (o 7 morreu em 2003 e o 8 ainda nem deu as caras) e o ASTER (sensor japonês a bordo do satélite Terra) que pifou e sua versão atualizada feita pelos americanos (do Norte) foi colocada a bordo do satélite indiano que monitora a LUA!!! sem falar no fim dos ônibus espaciais, que permitiam ir fazer consertos em satélites no espaço, como aconteceu com o telescópio espacial Hubble.
    Temos é que aprender a usar melhor a tecnologia a nosso favor e não como no caso lastimável em que o Exército Brasileiro só foi usar aviões não tripulados (UAV)de monitoramento quase duas semanas depois da tragédia em Petrópolis! Onde está a pronta resposta em casos de emergências e desastres naturais????

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  3. De fato, o atual nível de uso e informação acerca das geotecnologias no Brasil exige de nosso Governo investir em mais parcerias internacionais, mas acho que não devemos abrir mão de investir em recursos próprios, como é o caso dos outros integrantes do BRICS, como Rússia, China e Índia.

    Quanto ao uso tardia de ferramentas de gestão é mais uma questão política do que técnica. Quantos projetos e pesquisas sobre essas áreas não são de conhecimento da academia e dos órgãos públicos, mas por conta de interesses menores, continuam engavetados?

    Um abraço.

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